Mateus 5.8 -- "O limpo de coração"

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Mateus 5.8

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Introdução
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OBSERVAÇÕES DO TEXTO
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"Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5.8).
Quem são os limpos de coração?
“A primeira vista, Jesus parece pensar em pessoas cujo coração é moralmente limpo. Sem dúvida, suas palavras têm a profecia de Ezequiel como pano de fundo.”
Em Ezequiel 36.25-26 está escrito:
“Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.”
Porém, como você pode perceber, Nosso Senhor não fala de algo necessariamente exterior. Pois aqui ele refere-se aos “limpos de coração.”
Tanto que, tal pureza da qual o Antigo Testamento fala, não diz respeito somente a uma questão de limpeza (apesar de envolvê-la), mas, também, a uma questão de compromisso do nosso coração e da nossa vontade para com o Senhor.
Por traz da declaração de Jesus, se encontram as palavras do Salmo 24.4-6, que diz: “O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente. Este obterá do Senhor a bênção e a justiça do Deus da sua salvação. Tal é a geração dos que o buscam, dos que buscam a face do Deus de Jacó.”
Aqueles que podem permanecer na presença santa de Deus têm “mãos e coração limpos.” Eles não elevam sua alma aos ídolos.
A impureza em questão, não é simplesmente mãos sujas, mas um coração irresoluto e dividido. O que é característico do homem de “ânimo dobre” descrito na epístola de Tiago (Tg 1.8, 4.8).
Mas o puro de coração verá o Senhor.
Sim! Verá! Mas o que a Escrituras dizem sobre o assunto?
“Não me poderás ver a face, portanto homem nenhum verá minha face e viverá. Disse mais o SENHOR: eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha. Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá” (Êx 33.20-23).
Nem Moisés pôde receber a bênção suprema de ver a face de Deus.
Por que não podemos ver Deus? Alguns dizem que se trata de um problema ontológico (significado), isto é, causado pelo fato de que Deus é espírito. Ele não tem massa ou qualquer outra forma a ser contemplada, e nós, como criaturas, não temos força de visão para ver o ser divino invisível.
No entanto, o que a Escritura descreve não é um problema fisiológico de nossa parte, mas uma deficiência no coração: ele não permite que pessoas impuras o vejam.
Não é apenas uma questão específica de impureza, onde as mãos sujas podem ser lavadas, mas é algo no âmago do nosso ser. Por isso, se ouvir uma impureza ali, a visão de Deus nos é negada.
Nas Escrituras lemos sobre diversas ocasiões onde o SENHOR se manifestou por meio do que chamamos de teofania — a aparição visível do Deus invisível — como no caso da sarça ardente no deserto, presenciada por Moisés, ou a manifestação da glória de Deus na nuvem.
Como disse Sproul:
“Na encarnação, a glória divina brilhou nos campos de Belém, e os pastores sentiram profundo temor. Essa glória, entretanto, foi apenas uma manifestação exterior do ser divino; não foi a essência de Deus. Se os homens já tremem diante de teofanias, não podemos sequer imaginar como seria aterrorizante ver Deus como ele realmente é.
Desde o Antigo Testamento parecia haver uma expectativa quanto a visão do SENHOR. Essa ideia é ampliada no Novo Testamento, dando esperança aos cristãos em relação ao que chamamos de “visão beatífica.” É chamada assim porque é a mais “inundará a alma humana de extrema bem-aventurança.”
Em 1Jo 3.1-2 está escrito:
“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.”
Em outras palavras:
“… quando chegarmos ao céu e formos completamente santificados — quando todo resquício de pecado for removido de nós — então seremos capazes de ver o Senhor face a face, tal como Ele é.”
Como comenta Sproul, sobre este assunto:
“Outros dizem que a pureza de coração será resultado da contemplação de Deus em sua pureza, pois não podemos olhar para o rosto de Deus sem que tal purificação completa aconteça em nossa alma. Acredito na primeira opção, e não nesta última. Contudo, as duas coisas podem acontecer simultaneamente, havendo uma interconexão entre a visão divina e a nossa glorificação. Porém, independentemente da ordem, a promessa se mantém firme: o Deus a quem adoramos sem ver é aquele a quem contemplaremos face a face.”
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